Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Palhavras, escritasaborosas

Palavras com e sem açúcar

Palhavras, escritasaborosas

Palavras com e sem açúcar

A propósito de um post...

historiasabeirario, 24.08.21

IMG_20210608_095616.jpg

Em Abrantes no estado em que estão a civilidade e os comportamentos é preferível ser contrário ao que é normal. A experiência não é reveladora de sabedoria, melhor que isso é saber ter resistência à imbecilidade, aos actos e ao que os presunçosos cuja escrita hilariante (avaliam eles) vomitam. Somos cambada, mas não estamos pendurados no gancho, dependemos de nós próprios e não de estruturas para sobreviver, somos livres de agir, somos livres de pensar, sabemos respeitar, queremos o melhor para Abrantes e o bem estar público. Somos povo e não uma dinastia ou ilustre geração. Se é de racha abaixo ou a carregar, só o desenrolar do tempo o determinará. Vitórias há muitas, a que melhor sabe é a liberdade, algo que muitos de vocês julgam ter, mas não têm. 

Esquecidos por uns...

historiasabeirario, 23.08.21

IMG_20210820_162209.jpg

O padeiro buzina ao aproximar-se, imprevistamente o largo perde a solidão, onde permaneceu na maior parte do dia. Soltam-se vozes, até risos se fazem por ouvir, quem diria, que hilaridades existem na aldeia, ainda por cima vinda dos velhos. É gente da minha terra, mantêm-se assentes, são alicerces dos muitos que partiram, e de alguns que por cá andam ainda. Esquecidos por uns, amados por outros, aqui continuam, afastados de tudo, abastados de sabedoria, arrojados num tempo impreciso. Cuidam das hortas, dos animais e pouco mais, depois matam o tempo como podem, até que o dia enturve. Só o padeiro na sua carrinha cheia de pão, os retira das suas casas, os reúne em encontros de curta duração. Depois, um até já, até logo, ou até amanhã. 

Triste manhã...

historiasabeirario, 27.04.21

IMG_20210427_135229_494.jpg

Triste manhã que devolveu ao dia a animação merecida, após o apogeu da noite sombria. A lua temida por aqueles, com o seu brilho excessivo, deixam de poder confiar nas suas acções, foi sofucada no manto nublado. O abominoso homem carregado de maldição, sentado no resto de uma árvore enorme, prostrado em pensamentos demoníacos, sem saber do momento da alteração. Rodeado por criaturas de olhos grandes, curiosas do vulto peludo, meio homem, meio lobo. Escutam os lamentos, sentem a fragilidade de quem foi acorrentado no destino. O felino sem popularidade, ergue-se lentamente para continuar o caminho solitário, desconfiado do tempo breve para recomeçar. 

Sopra um vento...

historiasabeirario, 01.04.21

IMG_20210401_091050_486.jpg

Sopra um vento que deixa fastio, tento andar atento a este ferimento que é o ar quente. São dias doentios, nem os assobios dos pássaros voando em liberdade me tiram a ansiedade. Não sei por mais quanto tempo este movimento do ar soprará, a sua descontinuidade é fundamental. A qualidade do vento que circula no momento não tem popularidade, está impregnado de poeiras. Não fosse as máscaras, modeladas nos rostos em virtude da pandemia, estaríamos submissos a doenças de cediço. 

A verdade mete medo

historiasabeirario, 03.03.21

patos01.jpg

 

 

Começos, recomeços, avanços e recuos têm sido estes últimos meses das nossas existências. Espaços de silêncios de carências, o tempo corre depressa de mais não obstante tudo isto que estamos a vivenciar. Um tempo que cansa, umas vezes quase me leva a lançar por terra o que faço com gosto. Invitam-me a participar em escritas, os textos estão nos ficheiros, inacabados, a meio já não é aquilo que quero, depois pelo meio outras situações. Estou como o tempo actual, para trás e para a frente, peço desculpa por isso a quem me convoca, a minha falta de compromisso. Nestas alturas gostaria de ser jardineiro, estão-se a rir, é verdade. Sem escutar, sem falar, cuidando das flores, podando árvores, rasgar a erva alta, consertar canteiros. Viagens na terra das flores, que bonitas histórias não haveria de escrever, personagens melhores que estes não haveria. A intrusão dos insectos  neste ambiente traria mais aventura e suspense. Dias ao ar livre, chuva e sol, frio, calor, abraçado a todos estes elementos não tardaria a ser um deles, transformava-me num pássaro e voava até que as asas não conseguissem bater mais. Como já me disseram, que sou contra o sistema, talvez por isso não entro nas contas, não posso voar alto, só baixinho. Hoje a imagem é um acontecimento, diz mais que muitas palavras, mas a verdade mete medo.

A chuva não pára...

historiasabeirario, 04.02.21

IMG_20210204_143545_736.jpg

A chuva não pára, a noite avança, pela minha cabeça continuam a passar, pilhas, acumulações, património literário. Informação inerte, uma extensão indefinida, isto tortura quem gosta de manusear papel cheio de história. Palavras soltas que os ventos deste novo tempo trazem de quando em vez, atingem os ouvidos de tal maneira que não me deixam livrar do cansaço... Como se fosse uma pandemia, a representação da informação por meio de caracteres e números propaga-se a um ritmo cada vez mais rápido. O problema não é a informação transformar-se através de sistemas electrónicos, mas sim a insensibilidade ao conhecimento que está impresso. Jornais, revistas, livros, um conjunto de informação variada onde se possa construir uma história. Toda esta pesquisa não tem que ser consultada num suporte gélido. Tem sim de ser apoiada por quem labuta na preservação, pelos sentidos, pela curiosidade de palpar folhas de papel, ver grafismos, cheirar encadernação, isto já é descobrir novos conhecimentos, é qualidade no que se está a tentar escrever, é respeitar quem escreveu, quem publicou. A chuva não pára... 

Não voltarei...

historiasabeirario, 15.01.21

IMG_20210115_140325.jpg

Voltei a ouvir o silêncio, a ver as ruas desertas, as pedras a lagrimejar das calçadas. Voltei a ver ausência de pessoas, das palavras abafadas, dos sorrisos escondidos debaixo das máscaras. Voltei a ouvir os pássaros, libertos das amarras dos ruídos automatizados, dos ruídos desanimados, daqueles que ficaram enteados de um tempo anterior. Voltei a ver o rio, está a fumegar, não está a escaldar, está a acenar a quem está a caminhar. Não voltarei a copiar os anos passados. Não acreditarei nos anos vindouros. 

Quem diria!

historiasabeirario, 23.11.20

IMG_20201123_160104.jpg

Voltei ao teletrabalho, voltamos a estar entrincheirados, presos a palavras a incertezas, ao que está para vir. Entretanto lá fora o inimigo silencioso continua a machucar e a matar. É impressionante o modo de actuar, sem nos apercebermos, pode estar ao nosso lado, num amigo,  num familiar, nos lugares que frequentamos, naqueles que são mais próximos, dentro das nossas casas. Exceptuando aqueles que nos protegem, cuidam e tentam minimizar até às últimas, as consequências do invasor, em hospitais, em lares, onde for possível, o resto são declarações, estatísticas, e conjecturas. Continuamos a tombar nas constantes batalhas, em diferentes sítios, sejam eles geograficamente distantes ou mais chegados. Em casa, onde trabalho neste momento, defronte do lugar que ocupo, a janela grande permite-me observar o rio no seu leito de sempre, as margens onde os campos são maternidades de várias culturas agrícolas, a floresta mais afastada, sem se distanciar do lugar do Fojo ou mesmo da aldeia de Arreciadas no cimo do pequeno planalto. A vida ali avança de uma maneira natural, enquanto nos hospitais a mortalidade continua, sucedem-se novos casos de infecção do vírus pelo país fora, as palavras voltarão a soltar-se, as probabilidades darão outras respostas e estratégias. Andamos neste carrossel há aproximadamente nove meses, o tempo da gestação de um ser humano. Quem diria! 

O tempo e o modo

historiasabeirario, 19.11.20

Abrantes continua a apostar na diferença às demais cidades do território nacional, e a surpreender os seus filhos. É bem vinda a obra na Av. João I, há muito que os pneumáticos e suspensões dos automóveis a reclamam, contudo o tempo e o modo da sua realização a meu ver deveria ser outro. Com a aproximação de um fim de semana de confinamento no concelho, há pormenores que poderiam ser executados tendo em conta a ausência de trânsito na referida via. Assim temos o caos, filas, passeios a ser lacerados por rodados de camiões, de camiões articulados, motoristas alarmados por terem desembocado em acessos impróprios para conduzir estas máquinas de transportes de mercadorias. Peões a terem bastante atenção para não serem esmagados, um dia atribulado está a acontecer, não há técnicos camarários, polícia de trânsito que podiam ter aconselhado outra orientação para o momento do trabalho.

Estamos perante uma moda

historiasabeirario, 11.11.20

IMG_20201111_170949.jpg

Desde que o homem necessitou de se cobrir com peles de animais para se proteger do clima, e se demonstrou pela maneira de cada um usar as peles e por aí adiante os tecidos, as roupas, que havia vários estilos e tendências. A moda, o costume de vestir, tal como a conhecemos hoje talvez tenha evoluído nesta sequência de necessidades das pessoas ao longo do tempo, acabando por se tornar um acontecimento social. A ela uniu-se o acessório, complemento que favorece o conjunto do vestuário, jóias, malas, chapéus, cintos e muitos mais. Agora o que está em voga nos acessórios é a máscara para cobrir o rosto, usada em diversas situações, no carnaval, em bailes, diversas tribos usam-nas em cerimónias. No teatro possivelmente é o seu elemento mais simbólico, mas a que refiro é a de protecção. Não termina um dia em que não veja alguém com o acessório, ora preso no braço abaixo do cotovelo, no queixo, como se fosse um babete e faz sentido, pois fumam, bebem e comem com o acessório preso nas orelhas. Outra maneira de o colocar é na haste dos retrovisores dos automóveis, destronando o rosário. Estamos perante uma moda que veio para durar, espero bem que não, mas a propensão é de cada vez mais surgirem máscaras nas boutiques a finalizar um tailleur ou outro qualquer traje feminino ou masculino.