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Palhavras, escritasaborosas

Palavras com e sem açúcar

Palhavras, escritasaborosas

Palavras com e sem açúcar

Um trenó com histórias

historiasabeirario, 21.12.21

Era uma vez num território atravessado por um grande rio, onde os vales eram largos, com charneca a perder de vista. Foi nesta grande extensão de terra que um dia surgiu um trenó, o seu movimento era impulsionado por um motor a combustão, não tinha renas como na história original. Nunca se cansava, surgia sempre durante o dia, ao contrário  da história primitiva que nunca era avistado, pois chegava sempre durante a noite. Quem o conduzia não usava enormes barbas brancas, nem trajava de vermelho, era sempre o que calhava, o que lhe assentava bem. Também não deixava as lembranças na chaminé, este tinha gosto de contactar com as pessoas que apareciam junto do trenó que não se cansava de conduzir. Estradas longas, mais curtas, a subir até provocar vertigens e a descer ao ponto de  sufocar. Algumas assemelhavam-se a serpentes tal não era a quantidade de curvas e contra curvas, avançava aos sss, mas não estava embriagado. Ia sempre encantado a levar histórias, às gentes daquela região, que sempre tiveram nas histórias as suas companheiras. Os dias passavam a correr de aldeia em aldeia, quando estacionava, as pessoas juntavam-se ao redor do trenó, naquele tempo era Natal todos os dias, as histórias pareciam que nasciam do interior do veículo que não tinha patins e nem deslizava na neve. Quase sempre geravam novos leitores, o Natal é isso mesmo, a celebração do nascimento. Um sem fim de histórias velejavam no vento da curiosidade, de umas mãos para outras, de ouvido em ouvido, escutadas com atenção, para não se perder uma pitada, muitas vezes partiam para outros lugares aumentadas e deformadas, sempre foi assim a comunicação naquele tempo. Actualmente o Natal já não é assim, o trenó continua a ser impelido pelo motor a combustão, as estradas ainda são as mesmas, as aldeias também. As pessoas são outras e poucas, têm outras escolhas como companhias, não estão apegadas às histórias como as do outro tempo, não são transmitidas oralmente, muito menos escutadas. O trenó continua carregado de lembranças, aquele que conduz é outro também seduzido, sem as enormes barbas brancas, sem usar roupa vermelha. As vontades agora são diferentes, mas continua a ser Natal com as histórias a continuar...

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